Quando se fala em feridas venosas, a imagem mais comum é a de pernas com grandes varizes visíveis. Mas nem sempre é assim.
Existem pacientes que desenvolvem feridas próximas ao tornozelo sem apresentar veias dilatadas evidentes na superfície da pele. Nesses casos, o problema costuma estar mais profundo.
Veias perfurantes insuficientes, segmentos residuais da safena ou alterações no sistema venoso profundo podem aumentar significativamente a pressão dentro da circulação da perna. Com o passar dos anos, essa pressão excessiva provoca inflamação crônica nos tecidos e compromete a nutrição da pele.
Antes da ferida surgir, geralmente aparecem alguns sinais de alerta: escurecimento da pele, endurecimento da região próxima ao tornozelo, coceira persistente ou áreas com aspecto mais brilhante e sensível.
O desafio é que, sem varizes aparentes, muitas pessoas não associam essas alterações a um problema vascular. Como consequência, a doença continua evoluindo silenciosamente.
É justamente por isso que o exame Doppler tem um papel tão importante. Ele permite identificar alterações que não são visíveis durante o exame físico e localizar a origem do aumento de pressão venosa.
Em diversas situações, a ferida não surge pela ausência de tratamento das varizes visíveis, mas pela presença de um problema circulatório que nunca foi diagnosticado. Detectar essas alterações precocemente pode evitar uma complicação que costuma ser difícil e demorada para tratar.