Doença Arterial Obstrutiva Periférica – o que é, causas, sintomas e muito mais!

Muito comum entre pessoas com mais de 55 anos, a Doença Arterial Obstrutiva Periférica (DAOP) é uma doença que, na maior parte dos casos, é silenciosa e muito perigosa, afinal sua presença só pode ser detectada através de exames de rotina ou quando o quadro já está muito grave. 

O fato é que, conforme o paciente vai envelhecendo, a tendência de desenvolvimento dessa patologia vai aumentando. Por isso, conhecer as principais causas, características e consequências da Doença Arterial Obstrutiva Periférica é fundamental. 

Confira todo o texto para ficar por dentro dos principais aspectos da doença!

1. O que é a doença arterial obstrutiva periférica?

Caracterizada por uma disfunção que acomete as artérias, a Doença Arterial Obstrutiva Periférica (também conhecida pela sigla DAOP) é um problema causado pelo entupimento ou estreitamento (estenose) dos vasos responsáveis por realizar o processo de circulação sanguínea por todo corpo (artérias).

Sua formação pode ocorrer nos membros superiores ou inferiores. No entanto, casos de DAOP nos pés e pernas são os mais comuns entre os pacientes.

Com um desenvolvimento lento e gradual, essa doença consegue permitir a formação da rede de circulação sanguínea colateral (um canal acessório para circulação de sangue, que transporta uma menor quantidade de oxigênio do que a ideal), o que garante a irrigação dos tecidos mais inferiores. 

Mas, isso não impede os danos e, por isso, é preciso estar atento!

1.1. Mas, no que a Doença Arterial Obstrutiva Periférica implica?

Antes de tudo, você precisa entender melhor o processo: para promover a circulação por todo o nosso corpo, o coração bombeia o sangue, rico em nutrientes e oxigênio, através das artérias. Dessa forma, consegue garantir o pleno funcionamento de todos os órgãos.   

Acontece que, quando uma dessas artérias sofre com algum tipo de intupimento ou estreitamento, esse processo é interrompido ou dificultado, fazendo com algumas regiões deixem de ser irrigadas com o sangue. 

E o que acontece se uma região passa a não receber os nutrientes e oxigênio necessários? Ela vai perdendo sua função e pode até precisar ser amputada. Por isso, é preciso evitar o desenvolvimento dessa doença sempre que possível.

2. Quais as causas da doença arterial obstrutiva periférica?
A obstrução ou estreitamento de uma artéria pode acontecer por alguns motivos: 

  • inflamações dos vasos (vasculites);
  • aneurismas arteriais trombosados (ou seja, dilatação além do comum de uma artéria);
  • aterosclerose (placas de gordura nas paredes dos vasos sanguíneos). 

No entanto, a causa mais comum para a Doença Arterial Obstrutiva Periférica é a aterosclerose. Esse quadro é responsável por atingir cerca de 85% dos pacientes que desenvolvem a DAOP, dificultando a progressão do sangue transportado para os tecidos dos membros do corpo, como músculos, nervos, ossos e pele. 

2.1. Como ocorre o desenvolvimento da Doença Arterial Obstrutiva Periférica?

A DAOP pode ser desenvolvida de duas formas principais – e elas têm influência direta sobre a evolução da doença, sintomas e sobre os tratamentos. 

2.1.1. Estreitamento progressivo

Geralmente relacionado com a aterosclerose, o estreitamento progressivo de uma artéria se deve ao acúmulo de substâncias em suas paredes, que vai aumentando gradualmente e, consequentemente, passa a dificultar a circulação sanguínea da região.  

Por outro lado, esse estreitamento também pode estar associado a displasia fibromuscular (crescimento de um músculo sobre a artéria, que causa uma pressão sobre o vaso), vasculite ou uma pressão que vem de fora do vaso, ocasionada pelo crescimento de cistos ou tumores na região. 

2.1.2 Obstrução repentina

Já o bloqueio repentino arterial pode ocorrer por conta de um coágulo (que se desprender de um outro local, instala na artéria e impede a passagem do sangue) conhecida como embolia arterial ou por instabilidade de uma placa de gordura que promove uma oclusão aguda (trombose arterial).

Para evitar esse tipo de situação é importante ficar de olho em patologias como fibrilação arterial (arritmia), distúrbios de coagulação e outros tipos de doenças cardíacas, que são responsáveis por favorecer a formação de coágulos sanguíneos (trombos).

2.2. Fatores de risco para a Doença Arterial Obstrutiva Periférica

O desenvolvimento dessa doença, muitas vezes, pode estar associado a outras patologias ou condições. Por isso, é preciso ligar o sinal de alerta ao ser diagnosticado com quadros de:

  • Diabetes;
  • Hipertensão arterial (pressão alta);
  • Tabagismo.
  • Obesidade;
  • Colesterol alto;
  • Avanço da idade;
  • Histórico Familiar;
  • Estado de hipercoagulabilidade;

Nesses casos, é importante realizar check-up vascular com frequência e ficar atento a todos os sinais!

3. Quais os sintomas da Doença Arterial Obstrutiva Periférica?

Geralmente, a maioria dos pacientes com quadro de Doença Arterial Obstrutiva Periférica são assintomáticos – situação comum em cerca de 80% dos casos. O que dificulta a detecção precoce da doença sem auxílio de exames. 

Mas, apesar disso, algumas pessoas ainda podem apresentar sintomas associados ao quadro. 

3.1. Sintomas da DAOP

Tudo vai depender das características do paciente, do estilo de vida, do estágio da doença, região afetada, extensão do problema e da forma que o quadro se desenvolveu (ou seja, se a artéria se estreitou progressivamente ou o bloqueio aconteceu rapidamente).

3.1.1. Quadros mais leves (Claudicação Intermitente)

Quando o paciente ainda está passando pelos primeiros estágios da doença, o oxigênio ainda consegue chegar aos tecidos, mas chega em pouca quantidade. Situação que, geralmente, está associada ao estreitamento progressivo da artéria e causa um sintoma chamado de claudicação intermitente quando ele realiza alguns movimentos mais pesados.

Para você entender melhor: ao percorrer subidas, caminhos mais longos ou andar com uma maior velocidade, nossos músculos precisam de mais oxigênio para realizar suas funções naturais. 

Assim, por conta da obstrução, as artérias não conseguem ofertar a quantidade necessária de oxigênio para a região – situação que causa:

  • Marcha lenta ou deficiente durante a prática de atividades.
  • Dor nas pernas, principalmente nas panturrilhas. 
  • Incômodo ao movimentar a região. 
  • Cãibras ou sensação de dormência nos pés ou dedos.
  • Fadiga muscular. 

O fato é que, quando a obstrução ainda é parcial, os sintomas passam assim que o paciente entra em repouso, pois o corpo consegue atender a demanda por oxigênio. O que leva o paciente a não procurar ajuda para a situação. Mas isso não é o indicado.

3.1.2. Quadros mais avançados (Isquemia crítica)

Já nos casos em que o paciente já está com o quadro avançado, associado ao bloqueio total e repentino da artéria, ele desenvolve o que chamamos de isquemia crítica. 

Aqui, a pessoa que tem a Doença Arterial Obstrutiva Periférica não tem oxigênio suficiente para promover o funcionamento de tecidos e músculos da região afetada, mesmo em repouso, em decorrência de uma insuficiência arterial. 

Nesses casos, os sintomas mais comuns são:

  • Dores intensas e de difícil controle nos pés, que se intensificam ao levantar as pernas. 
  • Inchaço na região, que ocorre por conta da posição que o paciente busca para aliviar a dor (paciente costuma dormir com as pernas para baixo para alivio da dor).
  • Palidez e falta de pulsação das artérias. 
  • Diminuição da temperatura da pele ou sensação de frio na região.
  • Feridas espontâneas ou após pequenos traumas, que acontecem por conta da úlcera que afeta a região. 
  • Necrose, por conta da falta de circulação no local – que aumenta as chances de amputação.

3.2. Quando o paciente não tem sintomas?

É comum que pessoas que estão com o quadro em seu estágio inicial, com uma pequena obstrução, ou que tenham uma condição limitante associada não tenham sintomas evidentes. 

Mas, como assim uma condição limitante? Imagine que você sofre com um quadro de obesidade associado ao sedentarismo e, por conta disso, não consegue fazer caminhadas um pouco mais longas. 

Sentir dores e incômodos nas pernas ao fazer caminhadas fica um pouco mais difícil, não é mesmo? Por isso, o paciente não apresenta os sintomas da Doença Arterial Obstrutiva Periférica. O que torna o quadro ainda mais arriscado.

4. Quais os riscos de quem tem doença arterial obstrutiva periférica?Como o distúrbio prejudica o fluxo sanguíneo, se não tratado precocemente, ele pode trazer diversas consequências para a saúde do paciente.

Assim como na maioria das doenças obstrutivas, a pessoas que tem um quadro de DAOP apresenta um grande risco  de desenvolver também doenças cardiovasculares e cerebrais como:

  • Coronarianas – responsáveis por irrigar o coração e manter seu funcionamento em ordem, as artérias coronarianas são umas das mais afetadas nos pacientes que tem também doença arterial obstrutiva periférica. Nesses casos, ocorre uma obstrução gradual ou súbita das artérias coronárias (pelo acúmulo das placas de gordura e coágulos), causando insuficiência desses vasos.
  • Cerebrovascular – nesses casos ocorre uma obstrução lenta nas artérias que são responsáveis por transportar o sangue e outros nutrientes vitais para o cérebro.

Essas duas condições têm influência sobre o aumento dos riscos de morte por doença cardiovascular e ainda são responsáveis por prejudicar a qualidade de vida do paciente e limitar sua mobilidade.

5. Como diagnosticar a doença arterial obstrutiva periférica?

O diagnóstico precoce da DAOP é fundamental para evitar complicações e, principalmente, situações de amputação. Nesses casos, precisamos de três momentos para obter uma detecção precisa da doença.

5.1. Anamnese

O primeiro (e mais importante) momento para o diagnóstico da Doença Arterial Obstrutiva Periférica é a conversa com o médico especialista em cuidados com a saúde vascular. 

Nesse caso, após conhecer suas queixas, o cirurgião vascular fará uma pequena entrevista para entender seus sintomas, as doenças associadas, histórico familiar, medicamentos usados e estilo de vida. 

A partir disso, ele irá analisar alguns pontos:

  • Existem quadros de AVC, infarto ou DAOP na família?
  • Quais são as características da sua dor?
  • Seu tipo de dor pode estar associada a outras doenças?
  • Você tem alguma doença que pode levar a aterosclerose?
  • Existe algum fator no seu estilo de vida que te impede de sentir os sintomas da doença?
  • Qual é a idade e o sexo do paciente?

Se algumas das respostas forem compatíveis com a suspeita da doença, o profissional deve seguir para os exames físicos de detecção de Doença Arterial Obstrutiva Periférica.

5.2. Exames físicos

Para chegar ao diagnóstico de DAOP é necessário a realização de exames físicos para identificar a presença de aterosclerose e, em alguns casos, de isquemia crítica. 

Aqui, o médico especialista em saúde vascular vai fazer uma inspeção no membro afetado, observando se:

  • a pele está fina, seca e descamativa;
  • há a presença de algum tipo de rachadura ou calosidade;
  • as unhas estão quebradiças; 
  • a pele do local está pálida; 
  • temperatura diminuída da pele;
  • há a presença ou não de úlceras, necroses ou gangrenas;
  • existe alguma alteração na temperatura da região;
  • os pulsos arteriais estão menores que o normal;
  • há algum tipo de ruído na área examinada;

Tudo isso é identificado a partir da inspeção, palpação do membro e, se necessário, da ausculta (usada para identificar se há um estreitamento da artéria). 

Após isso, partimos para os exames complementares para que o diagnóstico seja totalmente preciso.

5.2. Exames complementares 

Realizado com o auxílio de ferramentas tecnológicas, os exames complementares ajudam no diagnóstico final. Isso porque, a partir deles, é possível saber a localização exata da obstrução arterial e indicar um diagnóstico conclusivo para o paciente.

Esse diagnóstico é obtido por meio de três principais exames: 

5.2.1. ITB (índice tornozelo-braço)

No ITB, o profissional utiliza o doppler ultrassom para realizar um índice baseado na pressão sistólica nas artérias do pé e na pressão sistólica na artéria do braço. Assim, caso a pressão arterial dos membros inferiores for menor do que a medida no braço se chega ao diagnóstico de obstrução arterial.

Entenda: quanto mais baixa for a medida de pressão nos pés em relação à pressão do braço, mais grave é a isquemia.

5.2.2. Ultrassonografia Doppler

A ultrassonografia doppler é um exame não invasivo que avalia o fluxo nas artérias e a estrutura da parede vascular, identificando e demonstrando os efeitos das obstruções das artérias. 

Esse exame é muito indicado na hora de confirmar o diagnóstico, por conta do seu baixo risco para o paciente e sua alta eficácia.

5.2.3. Angiotomografia Computadorizada

Utilizado nos planejamentos cirúrgicos, a Angiotomografia Computadorizada é um exame que nos permite realizar uma análise mais detalhada de veias e artérias dos membros do corpo. 

Esse procedimento não é invasivo e é muito importante para o diagnóstico e para uma indicação assertiva de tratamentos para doenças do sistema circulatório. 

5.2.4. Angiografia Digital

Responsável por nos ajudar a visualizar as artérias com maior exatidão e riqueza nos detalhes, a Angiografia Digital utiliza cateteres, contrastes e outras técnicas invasivas para obter diagnósticos mais precisos. Como é um exame mais invasivo, utilizamos ele somente quando os outros métodos não foram esclarecedores.

6. Como é o tratamento da doença arterial obstrutiva periférica?

Após o diagnóstico e a avaliação de todo o quadro do paciente, o médico vai indicar a melhor forma de tratamento levando em consideração: 

  • qual tratamento que mais vai te apoiar no alívio dos sintomas?
  • como podemos frear a evolução da doença e estimular a melhora do quadro?
  • qual procedimento vai ajudar a prevenir complicações cardiovasculares secundárias?

A partir desses questionamentos, o profissional vai definir se vai optar pelo método convencional ou pelo cirúrgico.

6.1. Tratamento clínico

Esse método é indicado quando percebe-se que o paciente não precisa de uma grande intervenção para que o problema seja controlado e para que a intensidade dos sintomas diminuam. Aproximadamente 70-75% dos pacientes melhoram somente com tratamento clinico.

O tratamento visa controlar a hipertensão, reduzir o colesterol, realizar atividades físicas, parar de fumar, melhora da alimentação e uso de medicamentos específicos para esta patologia.

Nesses casos, o importante é que o paciente tenha o apoio de uma equipe multidisciplinar para melhorar hábitos nocivos e, em casos de pacientes diabéticos, para prevenir e tratar o pé diabético.


6.2. Método cirúrgico

Realizado quando a DAOP está mais avançada (risco de perda do membro ou quando o tratamento clinico não obteve sucesso), a cirurgia ajuda na desobstrução do fluxo sanguíneo arterial e, consequentemente, a melhora de todo o quadro. 

Esse método pode ser realizado através do tratamento cirúrgico aberto ou pelo tratamento endovascular.

6.2.1 Tratamento cirúrgico aberto

Nesse método é feito um desvio do sangue por uma nova via de passagem que será criada (by-pass ou ponte) utilizando uma veia do paciente ou uma prótese. Em poucos casos pode ser utilizado a endarterectomia, procedimento em que é realizado uma abertura do vaso para retirar a obstrução (as placas de gordura). Já nos casos de embolia arterial aguda, o tratamento é feito pela embolectomia que consiste na abertura da artéria e retirada do coagulo.

6.2.2. Tratamento endovascular

Conhecido também como angioplastia, no tratamento endovascular inserimos um cateter com um pequeno balão na artéria estreita e enchemos esse balão para remodelar a artéria afetada e deixá-la com um bom diâmetro. Após essa dilatação, decidimos se é feita a colocação ou não de um stent (dispositivo metálico utilizado no interior dos vasos) para manter o vaso aberto.

Esse método é menos invasivo, já que o tratamento é realizado por cateterismo, sem cortes muito profundos. No entanto, ele não é indicado para os todos pacientes e em alguns casos ela não a melhor escolha.

7. Entendendo melhor: quando a cirurgia é uma alternativa para a doença arterial obstrutiva periférica?

Os casos cirúrgicos vão depender do grau da obstrução e da condição clínica do paciente. 

Então, lembre-se: o médico sempre deve visar a opção mais eficaz e segura para o seu quadro – se você está com uma condição mais complexa, mesmo que não goste muito de cirurgias, esse método é inevitável.

Vamos entender melhor? Aqui vai um exemplo: se um paciente está com um quadro de claudicação intermitente (que tem um baixo risco de amputação), o tratamento escolhido pode ser um método mais conservador (tratamento clinico). 

Agora, se essa condição estiver muito limitante e não melhorar com o tratamento clínico, a cirurgia é uma ótima alternativa para os casos em que o paciente não apresenta nenhuma contraindicação para a realização do procedimento.

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Fontes: 

– https://sbacvsp.com.br/doenca-arterial-obstrutiva-periferica/

https://www.msdmanuals.com/pt-br/casa/distúrbios-do-coração-e-dos-vasos-sanguíneos/doença-arterial-periférica/doença-arterial-periférica-oclusiva#:~:text=A%20doença%20arterial%20periférica%20oclusiva,em%20diminuição%20do%20fluxo%20sanguíneo

– https://vascularsp.com.br/doencas-arteriais/doenca-arterial-obstrutiva-periferica/

– http://portalcirurgiavascular.com.br/doenca-arterial-obstrutiva-periferica/

– https://www.sanarmed.com/doenca-arterial-obstrutiva-periferica

– https://www.rededorsaoluiz.com.br/doencas/claudicacao-intermitente

– https://blog.portaleducacao.com.br/tipos-de-circulacao-sanguinea/

https://www.reumatologia.org.br/doencas-reumaticas/vasculites/#:~:text=O%20que%20são%20as%20Vasculites,de%20aneurismas%20e%2Fou%20hemorragias

– https://star.med.br/angiografia-o-que-e/ 

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